quinta-feira, 9 de junho de 2011

Não dificuta

                Estava a subir a avenida, meu carro 3.0, ladeira alguma pode parar, exceto o sinal a cinqüenta metros a frente. Diminui e parei, avistei logo um trabalhador informal, peça fundamental para a sustentabilidade da vida, ele dobrou a esquina e com o carrinho lotado de papeis, garrafas, portas, janelas e outros metais pois se a subir a ladeira. Notei, que enquanto puxava o pesado carrinho rua a cima os vidros dos carros iam se fechando.
                Parado em êxtase, refleti o quanto somos hipócritas, o serviço daquele trabalhador já é difícil e o tornamos ainda mais, fazemos com que ele se sinta o pior pessoa do mundo, simplesmente para alimentar nosso ego, viramos as costas e fechamos os vidros quando precisam de ajuda. Pensei em ajudar , mas lembrei que “o veiculo que move o mundo, não foi feito para ajudar ninguém”, meu carro se quer tem engate para puxar outro carro, que dirá o sustento de um pobre trabalhador suado, sujo de imundices humanas, com os braços fracos e cansados por terem que puxar os carros importados dos mesmos que te jogam lixo e pedras.
Assim o sinal abriu, acelerei o carro, e voltei a mentir que vivo.
Joilson Alves Targino